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(In)questionamento

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O ser humano é uma curva complexa
De ideias projectadas e convicções
A projecção é vazia, desfeita
Feita de um zero de nadas
De onde vem a pergunta eleita?
A dúvida das várias estradas
Que se desenham, se formam
no coração?

Que ideologia é aquela
que brota da infima sensação
De onde vem um definido rumo
De onde vem a certa convicção?

Que perguntas nos mexem?
Que perguntas nos movem?
Que respostas silenciam?
Que respostas acalmam?

Onde estou? Para além do mundo que sinto e vejo?
Para além do mundo das sensações? Das percepções?
Onde aponta o meu foco? Para onde viaja o meu barco?
Sou marujo ou marinheiro? Tenho leme ou tenho vento
a alentar a minha embarcação?

Sou uma onda? Sou o mar? O barco que veleja? Tudo isso ou nada disso?
Que prolongamento existe na minha consciência e me faz nadar, no meu mar que não conheço,
Na imensidão que eu não sei, no rumo da minha alma - e me entregar?

E entregar.
E entregar.
Num choro que leva ao mar.
Num mar que é o meu mundo.
Numa água que é o meu derrame.

E entregar.
E entregar.
...
E ser.
E não-ser.
E...

Perfeito imperfeito

domingo, 1 de junho de 2014

Não há deusas, não há altares
Não há corações aprisionados
Não há mulheres em pilares
Não há amores idolatrados.

Há amor genuíno, paixão vadia
Há vontade não controlada
Há desejo desenhado noite e dia.

Há um crescer de uma expressão
Há o termo doce, há a amada
Há a simples exaltação.
Há o tudo e o nada.

Não há o não.
Mas há saber dizer não.
Há o sim e o em mim.
Há o em ti e o em nós.
E de nós, sem fim.

Não há concordar sempre
Não há identificar sempre
Há um quadro de mil cores
Umas ressoam outras não
E então?
Não há vários tipos de amores.
Amor há só um:
   a perfeita imperfeição.
   na virtude, o coração
   o beijo no defeito.
   o ficar sem jeito.

É gostar de como é
Não ter partes, ser total
É amar o imperfeito
   que faz do amor, assim: real.